Archive for the ‘Quinta Dos Convidados’ Category

Quinta dos Convidados: Wilson Prata

April 27, 2006

Ola a todos, bem vindos a mais uma quinta dos convidados. Essa semana chamei meu amigo, colega de trabalho e banda, Wilson Prata, ele vai falar pra gente sobre os Ramones!!!!

A umas três semanas o Carlos me chamou para falar sobre o que eu quizesse no blog dele, então decidi falar sobre Ramones, como se trata da banda punk, a primeira coisa que fiz foi furar o prazo que ele me deu. Pois não vamos nos submeter a essas suas imposições facistas de cronogramas opressores e resenhas detalhadas só para encher seu bolso seu porco capitalista… mesmo que você não esteja ganhando um centavo com esse blog.

Falando sério, esse tipo de “atitude punk” não tem nada a ver com os Ramones. Apesar de serem a primeira banda punk do mundo e sendo o movimento punk geralmente associado com visões e posicionamentos políticos extremistas, pode-se dizer que os Ramones sempre estiveram além disso. Antes de serem punks, eles eram Ramones. E Ramones, ao lado de mulheres e cerveja, é uma das três coisas mais legais que existem no mundo, eis a razão da distância entre punk e Ramones.

Tudo começou em Forest Hills, Queens, New York em Janeiro de 1974, quando jeff Hyman…. hum… cara, se você quer ler a história dos Ramones vá no Wikipedia e leia a história da banda, lá tem um relato muito mais completo e bem escrito do que eu poderia fazer.

Mas antes disso entre aqui, baixe e ouça esse álbum. Se por acaso você achar que não entendeu o álbum e que precisa ler a história da banda para entender porquê que Pearl Jam, Motorhead, Misfits, Red Hot Chilli Pepers, Tom Waits, Rammstein, Green Day, Rancid, Marylin Manson, Blondie, Rob Zombie, The Strokes, Metallica, Foo fighters, Nirvana, Soundgarden, fora mais uma penca de banda legal, prestam tributo a esses caras e os citam como influência para sua formação musical, então você tem probemas mentais, vá procurar tratamento.

Ramones não era o Jeffrey Ross Hyman, John Cummings, Douglas Glenn Colvin e Tamás Erdélyi tocando junto, esses eram personagens muito menos interessantes que os Ramones. Esses daí tinham problemas de relacionamento, tinham visões políticas equivocadas, problemas com drogas, eram elementos realmente desagradáveis…. mas os Ramones não. John cummings era um bastardo que robou a namorada de Jeffrey Hyman e deixou ele na merda, já o Johnny foi o cara que fez a base de The KKK took my baby away com letra de Joe Ramone sobre a história daquele coitado. Douglas Glenn Colvin era um drogado, michê, viciado em heroína, um cara pequeno e problemático que chegou a cantar músicas de Rap…. já Dee Dee Ramones era o rei do ringue, não era Sissi e nasceu para morrer em Berlim. Tomás Erdélyi apesar de ser húngaro era legal, mas não tinha punch, coisa que nunca faltou enquanto Tomy Ramone ditou o ritmo das batidas em cinco grandes albúns. Marc Bell que era um alcólatra e hoje usa peruca, mas não Mark Ramone. Ramones era uma entidade tão forte que mesmo o fato de Jeffrey e John se odiarem e não se falarem por mais de 20 anos não foi capaz de dissolver a banda.

Após você ouvir um álbum deles – qualquer um, mesmo o Subterran Jungle – e constatar que eles nunca ganharam grandes prêmios ou foram top 10 nas rádios, só podemos chegar a uma conclusão… o mundo é burro e não esta preparado para ouvir Ramones.

Ramones não se explica, Ramones não se equaciona, Ramones é 1,2,3,4 hey ho let’s go.



Quinta dos Convidados: Susana Vigil

April 6, 2006

Ola pessoal, passa essa segunda Quinta dos Convidados chamei minha amiga Susana Vigil pra falar um pouco do Peru dela!!!!

O Peru: Maior e melhor do que você podia imaginar…
Da minha visão e com os meus comentários!


É o pão de cada dia… “Aê, o “peru” é grande?”. “Você leu o jornal? O Peru ta crescendo!!”. Enfim, não é fácil ter nascido no Peru e morar em um lugar onde este nome -além de pertencer à ave que comemos todo santo Natal- está relacionado à máxima representação da masculinidade. Mas isto não significa nada, pois o Peru é de longe, muito melhor e mais divertido do que milhares de piadinhas e minha cara de “ha ha ha que engraçado” ao ouvi-las.

Susana na época em que trabalhava como mula exportando “parada”!!!

Lima, Cuzco, Macchu Picchu, Iquitos. Costa, Serra e Selva belamente reunidos em um só lugar, habitado por mais de 25 milhões de pessoas: “los cholitos”. Destes milhões todos, 8 moram em Lima, a capital do Peru; conhecida também como “A Cidade dos Reis”. E foi esta cidade que me viu nascer e foi a minha casa durante 17 anos, os primeiros 17 anos da minha vida. Ela representa os momentos mais divertidos e sem noção da minha adolescência. San Isidro, Miraflores, Surco, Barranco, San Borja, La Molina; os distritos mais badalados, berço da socialite peruana. Onde os melhores colégios, bares, universidades, lojas e bairros residenciais estão localizados; deixando os outros 36 distritos com a denominação de “conos” (periferia). Mas estes “conos” também têm os seus encantos; Gamarra, onde você consegue renovar o seu armário por 200 soles (aprox. R$150) e Chosica, onde é possível abastecer a geladeira para pelo menos duas semanas pela metade deste preço.

Saindo da capital, um grande atrativo turístico é com certeza, Macchu Picchu. Muita gente já ouviu falar, mas poucos são os que sabem realmente onde fica e como chegar. Não é uma cidade, não é um distrito e ninguém mora lá. Macchu Picchu fica aproximadamente a 4 horas de Cusco – esta sim uma cidade com mais de um milhão de pessoas – e é de difícil acesso. Para chegar neste incrível lugar tem duas opções: o caminho inca que dura 4 dias a pé; e a rota convencional, da qual irei fala a seguir. Partindo do centro de Cusco, precisa percorrer algumas horas de estrada até a estação de trem, onde é recomendável pegar o “trem dos turistas” se não quiser ser esmagado pelos “ponchos” dos locais no trem popular. Este trem pára aos “pés” de Macchu Picchu, onde vans saem toda hora para levar os visitantes ao topo da montanha que dá acesso a esta “ciudadela”. Graças à falta do que fazer de alguns turistas chilenos que picharam algumas pedras históricas alguns anos atrás, a visitação só pode ser feita dentro de um grupo formado por alguma das centenas de agência de turismo da cidade. Ou seja, você só vai poder andar onde o guia indicar, coisa que acho incrivelmente chata, porque não tem nada melhor do que se perder no meio daquelas pedras gigantes que ninguém consegue explicar como os Incas conseguiram colocar lá. Cusco, como cidade, oferece muitas atrações turísticas. Museus, igrejas e uma ótima vida noturna que tenho a satisfação de dizer, curti bastante.

Deixando a Serra, um lugar que conheço muito bem e não posso deixar de fora é Iquitos. Iquitos encontra-se na Amazônia Peruana, onde tive a satisfação de morar durante 3 anos. Esta cidade, com pouco menos de um milhão de habitantes, foi na sua época áurea uma espécie de paraíso da borracha, lá pelos anos 20. Não alcançou a majestuosidade de Manaus, mas no centro da cidade é possível achar algumas edificações interessantes características da época, como “La Casa de Fierro”. As atrações turísticas por lá são aquela coisa… Passeio de barco, visita a tribos indígenas, pesca, trilha, etc. No centro da cidade estão concentrados os melhores hotéis, restaurantes e comércios. A rua dos comerciantes é a avenida “Próspero”, nome bastante otimista. Esta região é famosa no Peru devido à fala engraçada da população local, que a fala “cantando” e usa termos com influências indígenas e do país vizinho: o Brasil. Vale a pena dar um confere.

Susana na época em que era uma adolescente festeira no Peru!

É esse o meu Peru, cheio de contrastes e belezas naturais que não podem ser deixadas de lado. Da vida estressantemente urbana à paz das montanhas da serra. Com climas que vão do tropical úmido ao árido. Um destino que com certeza vale os milhares de dólares que a maioria dos turistas estrangeiros gastam para chegar e passear por lá. Viram? O Peru é bem legal!! Você vai A-DO-RAR!

Por: Susana Vigil Ghersi. 21 anos. Quase publicitária. Pouco jornalista.

Quinta Dos Convidados: Monique Bastos

March 23, 2006

Hoje estreio uma coluna nova, A Quinta Dos Convidados, toda semana um convidado vai me enviar um artigo, qualquer artigo, desde que seja feito por ele. Pra começar chamei minha amiga de 50 anos, Monique Bastos. Ela foi pro show do U2 mês passado e eu pedi pra ela contar pra gente um pouco de como foi. Lá vai!

Sábado, 18 de fevereiro de 2006, cinco e meia da manhã. Acordei suando e pensando: “Cacete, eu vou morrer de malária no show!”.

Assim foram os últimos dias que antecederam a minha ida à São Paulo para o show do U2, no dia 20, no estádio do Morumbi. Eram pesadelos com malária, dengue, tifo, cólera, varíola, aviões explodindo, ingressos falsos, pessoas me pisoteando. Fora as dores de barriga.

No dia em que liberaram a compra de ingressos para o show do dia 20 eu entrei em pânico. Tinha ficado desde cedo no site de compra de ingressos tentando pegar o meu e não conseguia. E ninguém conhecia ninguém pra comprar, nenhuma operadora de cartão de crédito conseguiu ingresso. Enfim eu consegui um com um amigo da amiga da minha ex-cunhada. O ingresso veio pelo correio, mas eu ainda ficava com aquela incerteza: “Será que é falso?? Arrrgh!”.

Peguei o avião às três da manhã, e depois de umas nove horas de viagem eu e minha companheira de show Hinayana chegamos em sampa. Nos mandamos pro hotel, onde deixamos as malas. Comemos num restaurantezinho próximo, compramos um sanduíche do Carrefour e nos mandamos para o estádio. Chegamos lá pelas duas da tarde, a fila já se perdia de vista.

Estava mais de doze horas com a mesma roupa. Entramos no estádio às quatro, corremos em direção ao hot-zone mas não conseguimos entrar… nos situamos pela frente do palco, bem próximas da grade que separava-nos dos fãs exaustos que estavam ali acampados a dias.

Estava tão cansada, mas tão cansada que eu consegui dormir estatelada no chão, com um monte de pessoas passando por cima de mim, de cara pro sol. Acordava de vez em quando pra morder um pedaço do sanduíche do Carrefour, beber um gole d’água e voltar a hibernar. Hinayana dormiu sentada com medo de ser pisoteada. E eu, no meio daquilo tudo, ainda não acreditava que eu estava ali.

Monique e sua amiga Hinayana

Nas horas vagas eu ouvia ela conversar com um garoto que estava sentado perto de nós, o Mateus; tinha 16 anos e tinha vindo sozinho do interior de Minas Gerais, com a mochila nas costas, somente pra assistir o show. Até nos emprestou umas camisas que ele tinha trazido, para colocarmos na cabeça e evitarmos o desconforto do sol. Certa hora ele disse que ia comprar algo pra comer e deixou a mochila conosco; disse que voltava logo, mas nunca mais o vimos. Tivemos que deixar a mochila dele com os seguranças no final do show.

Na nossa frente estava a sucursal da Escandinávia: sete homens enormes, louros, lindos e glaciais, e uma holandesa de tirar litros de leite. Até chutei eles algumas vezes no sono, mas acho que eles nem perceberam.

Já eram umas seis e meia e a pessoas começaram a vir de trás e se aninhar na grade; tivemos que levantar e começar a tomar lugar, pra ter um vista melhor. Nessa veio uma mocinha gaúcha das profundezas do povão com um binóculo no pescoço. Foi passando por cima do todo mundo e quando chegou na frente falou “Viu como eu consegui?!”; essa causou até o degelo dos escandinavos.

Pelas oito começou o show do Franz Ferdinand. Foi muito bom, mas o povo não estava muito pilhado, cantaram educadamente as musicas mais conhecidas. Mas enfim, os caras não tavam nem aí, arregaçaram e fizeram uma curta, mas excelente apresentação.

Quarenta minutos depois se apagaram as luzes, uma gritaria ensurdecedora começou, “City of Blinding Lights” surgiu, o telão estourou as cores na nossa cara e os caras do U2 fizeram duas horas e meia da mais completa magia musical. E eu estava ali vendo, ouvindo, sentindo o momento pelo qual eu esperei por quase dez anos.

Monique Bastos é designer de produto, loura e amiga do dono deste blog há quase dez anos.

É isso pessoal, semana que vem outro convidado especial, e ainda hoje O que eu li semana passada…!!!


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